MONTEZUMA CRUZ
Um quintal bem arborizado poderá ser o “sonho de consumo” de nós todos. Os dias estão mais quentes, e as chuvas mais fortes. Em Rondônia, o período conhecido por “inverno amazônico” deste ano ocorreu com algum alívio climático, nada, porém, garantindo o prolongamento da estação, para o nosso bem-estar. Estudos científicos vêm demonstrando que vivemos novos tempos.
Se nos livramos das queimadas assustadoras de 2024, que destruíram até mesmo uma parte do Parque Estadual de Guajará-Mirim e fez secar os rios, existem outras consequências ainda não tão visíveis do aquecimento global – doenças praticamente desconhecidas.
Quatro anos atrás, estudiosos e especialistas do Censipam, Sedam e do INPE (São José dos Campos-SP) e de outras instituições alertavam: devido ao derretimento das geleiras e oceanos e as temperaturas mais elevadas, mais patógenos estarão em circulação. Com isso, outros males que já existem atualmente têm alta nos casos: as doenças transmitidas por mosquitos.
Já em 2023, um fenômeno surpreendeu Rondônia, quando se constatava a ameaça aos mananciais do entorno do Pico do Tracoá, o mais elevado no estado. Quase todos os rios, 90%, nascem nessa região: o Jamari, o Candeias, o Santa Cruz, todos vindos da Serra dos Pacaás-Novos.
Apesar das agressões do homem, nossas fontes d’água nos dão uma réstia de esperança. No Pico do Tracoá, situado no município de Campo Novo de Rondônia a mil metros de altitude, nascem o Rio Urupá, que desce até o Rio Machado; o Rio Cautário em Costa Marques (na fronteira brasileira com a Bolívia); o Rio Pacaás, que vai até Guajará-Mirim.
No entanto, entre 2023 e 2024 nos surpreendemos com a falta de água potável em algumas cidades. Houve situações de águas barrentas e assoreamento preocupantes.
Durante esse período, imediatamente lembrei-me de ter entrevistado o consultor ambiental Adilson Pepino, antes da pandemia do coronavírus. ”Recuperador de rios” em diferentes regiões rondonienses, ele já alertava a respeito da destruição de nascentes na região de Cacoal e Espigão do Oeste. “Mais de quinhentas ao longo de 40 anos”, ele estimava não escondendo o lamento.
Em 2023, o senador Confúcio Moura (MDB-RO) queixava-se: “Destruir o formador de mananciais, secar os rios que conduzem água às hidrelétricas é crime bárbaro, de guerra; o pior é que quando há fiscalização e multa aos infratores, eles ficam com raiva e alegam que o Ibama está apelando.”
Enfim, o que as populações do interior do estado não esperavam ver, aconteceu. A destruição denunciada pelo consultor Adilson Pepino resultava em um cenário arrasador. Cacoal (86 mil habitantes) amargava crise hídrica! E olhe que a cidade é única a manter um serviço autônomo de água e esgoto.
Espigão do Oeste (30 mil habitantes), também sofria. Para atenuar a situação, a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia teve que canalizar água de uma barragem, levando-a para o Rio Palmeiras, de onde foi tratada e distribuída em caminhões-pipa do Departamento de Estradas de Rodagem.
Fogo desnecessário, assoreamento, desmatamento criminoso, todos são atualmente a combustão para piorar o calor que você sofre, quase sempre acima de 30 a 35 graus C.
Vai ficar aí parado?
Rio Palmeira, em Espigão d’Oeste, deu sinal de exaustão devido ao assoreamento (Foto CAERD)
No Pico do Tracoá, água em abundância corre risco (Foto Prefeitura de Campo Novo)


