Fabiana Gomes, presidente da Rioterra, explica que o projeto é agregador (Foto M. Cruz)
MONTEZUMA CRUZ
Solange Walsak Simão, paranaense de São Miguel do Iguaçu, valoriza com entusiasmo o apoio recebido do Centro de Inovação da Amazônia Rioterra no projeto Quintais Amazônicos 2 em seu sítio Aparecida do Norte, na Estrada Velha da Mibrasa, Km 3, em Itapuã do Oeste, Rondônia. “Quando eu conquistei meu pedaço de terra só ouvia desestímulo: falavam que era degradada, não tinha reserva florestal e nada produzia.” Largou essa conversa de lado em 2015 e foi plantar café, classificando-se em 1º lugar da Região Madeira-Mamoré, durante o 8º Concafé Rondônia promovido pelo governo estadual.
O projeto atua em 15 municípios da BR-364 e em seu entorno, ensinando agricultores familiares e assentados a cuidar do solo: Alto Paraíso, Ariquemes, Cacoal, Candeias do Jamari, Cacaulândia, Itapuã do Oeste, Jaru, Mirante da Serra, Nova União, Ouro Preto do Oeste, Porto Velho, Teixeirópolis, Theobroma, Urupá e Vale do Paraíso.
Vizinha de um sojicultor, Solange aprendeu a cultivar o café próximo à floresta, sem devastar, e ali também plantou laranja, limão, mamão e outras frutas que deram à propriedade a marca da sustentabilidade. Tendo o que colher e vender, ela sentiu-se realizada. “Eu saía jogando sementes de leguminosas em meus três hectares e vi tudo crescer”, disse lembrando ter preferido o uso de adubo feito com esterco de galinha.
Itapuã do Oeste, a 105 quilômetros de Porto Velho, é considerado “município berço da agricultura familiar.”
“Eu já participei de três projetos e digo que todos eles me beneficiaram muito, porque vieram com assistência técnica e calcário que eu aproveitei bem”, conta Solange lembrando que no começo “catava no quintal dos vizinhos tudo o que servia de adubo orgânico.” “Posso afirmar que recuperei toda a minha área, plantando 15 mil árvores consorciadas com frutíferas e me envolvi no controle de pragas.
No ano passado, Solange sentiu quando o vizinho aplicou herbicida em sua lavoura de soja causando o desfolhamento de suas árvores, mas não derrubando plantas, que também foram protegidas pelo vento.
“Eu vejo que é responsabilidade de cada um plantar frutíferas, mas também mudas florestais, porque uma vem cuidar da outra; vejo que o Quintais 2 chega com tecnologia mais avançada para nos ensinar”, aconselhou.
A participação nos projetos Rioterra é gratuita e simples: basta que o agricultor familiar possuir até 240 hectares, cadastro ambiental rural, documento da propriedade, e se comprometer a participar das atividades de capacitação e assistência técnica.
Solange Walsak encontrou solo considerado degradado, recuperou-o e avalia bom resultado do projeto (Foto M. Cruz)
“Quem pude entrar, mergulhe de cabeça, para que dentro de oito a dez anos possa colher os frutos no tempo que eu consegui, por exemplo, com minhas lavouras de açaí e pupunha; desde antes eu via meus pequis produzindo, enxergava meu futuro”, apelou.
A primeira biofábrica de mudas Rondônia deverá trabalhar com 1.500 propriedades irrigadas e adubadas, capacitando 800 produtores (100 mulheres) que terão ao dispor 5 milhões de mudas florestais e produtivas, visando renda a partir das culturas do açaí, banana e cacau.
Só o Acre tem algo semelhante. Em Rondônia, a banana, por exemplo, foi contemplada com a distribuição de 1 milhão de mudas geneticamente de altíssima qualidade.
Desse total, mil famílias já contam com assistência técnica. Durante o anúncio do projeto, no final da semana passada em Porto Velho, o especialista Elisafan Sales e o representante do Sebrae, Desóstenes Nascimento, se comprometeram a ampliar o apoio.
Segundo Nascimento, em outubro deste ano o Sebrae realizará a 1ª Reunião de Integração Geográfica do Vale do Jamari
O cacau também ganha impulso com o funcionamento da Escola Fábrica de Chocolate, projetada pelo Instituto Federal de Rondônia em Jaru. Futuramente, essa unidade deverá exportar produtos rondonienses para países europeus.
Rioterra contribui para o fortalecimento de 50 associações rurais fortalecidas, com 15 núcleos municipais e um núcleo estadual do cacau
Primeira organização não-governamental a pagar por serviços ambientais no País, a Rioterra totaliza 742 hectares recuperados no estado. Solange faz parte do grande grupo familiar que obteve renda no valor de R$ 415 milhões.
Até hoje, mais de 34 mil agricultores foram atendidos pelos projetos da organização, apoiados pelo Fundo Amazônia, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desde o projeto Plantar.
Em 1º outubro deste ano, o Centro Rio Terra inteira 27 anos de atividades. “Nosso projeto é agregador”, disse a sua presidente, Fabiana Barbosa Gama. “Sem o envolvimento de órgãos parceiros, seria difícil levar os benefícios à ponta”, emenda o coordenador geral de projetos Alexis Bastos.
Para ele, o cadastro ambiental rural é a alavanca para evitar qualquer segregação na agricultura familiar. “Quando pais e filhos reúnem condições de trabalho na propriedade regularizada e que conserva o solo, todos têm apoio.”
“Também fazemos de tudo para apoiar indígenas e extrativistas”, assegurou.
O coordenador geral de projetos, Alexis Bastos: oportunidade para todos (Foto M. Cruz)
NÚMEROS REVELAM ÊXITO
► Formar 3 mil hectares foram recuperados com Sistemas Agroflorestais (SAFs).
► Produzir 5 milhões de mudas florestais e apoiar 1 mil famílias com assistência técnica especializada.
► Fazer funcionar 200 vitrines tecnológicas em propriedades rurais de referência, e instalar estruturas de secagem, fermentação e beneficiamento do cacau.
► O Fundo Amazônia, do BNDES investiu R$ 55,4 milhões nos 15 municípios de atuação direta
►Entre os órgãos parceiros, a Rioterra alinha o apoio do Senar, Federação da Agricultura e Pecuária, ICMBio, OCB-RO, Emater e Sebrae. O Centro Rioterra espera obter também ajuda da Secretaria Municipal da Agricultura de Porto Velho, notadamente, para o transporte e comercialização de produtos.
►Rioterra formará duzentas vitrines tecnológicas em propriedades de referência
PARTICIPE
do projeto Quintais Amazônicos: 69 99246 0126


