TEIA DIGITAL – Setor produtivo de rondônia unido contra a escala 6-1

SILVIO PERSIVO

Sem palavras, meu amor. “A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra.  Engano: o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão” (Nelson Rodrigues).  

SETOR PRODUTIVO DE RONDÔNIA UNIDO CONTRA A ESCALA 6-1.  

O setor produtivo de Rondônia está mobilizado e unido contra a apressada e claramente eleitoreira votação que propõe o fim da jornada de trabalho 6×1. A pressa com que a matéria tem sido conduzida no Congresso preocupa lideranças empresariais do estado, que enxergam no movimento muito mais oportunismo político do que compromisso com o desenvolvimento do país. O debate sobre o fim da escala 6×1, que deveria ser tratado com a seriedade que o tema exige, está sendo perigosamente contaminado por interesses eleitorais. Não se pode misturar uma mudança de tamanha magnitude estrutural com o oportunismo de quem busca dividendos nas urnas. O real interesse do Brasil – o crescimento sustentável- é muito diferente da pressa daqueles que visam apenas a próxima eleição. “É vergonhoso o que acontece”, afirmam lideranças nacionais do empresariado, na medida em que não se levam em consideração os impactos que a medida trará para a economia, o emprego e a competitividade das empresas brasileiras. A discussão, argumentam, ignora a realidade de setores que dependem de regimes de escala específicos e a necessidade de uma transição planejada e responsável.  Em Rondônia, a reação do setor produtivo é unânime: a medida, nos moldes em que está sendo conduzida, é eleitoreira e coloca em risco a geração de empregos e a sustentabilidade de milhares de negócios. A mensagem é clara- mudanças estruturais desta natureza exigem debate técnico, diálogo com todos os setores e planejamento, não açodamento movido por calendário eleitoral. 

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA DE CARNE DE JACARÉ DO CUNIÃ É DESTAQUE NA AGROTEC 

A Agrotec 2026 – Feira de Tecnologia, Agronegócio e Desenvolvimento Rural no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, teve na última quinta-feira (27) como destaque da programação o lançamento da Indicação Geográfica (IG) do Jacaré-Cuniã, que também foi acompanhado pela apresentação da licença de operação do abatedouro. A iniciativa buscou valorizar a carne de jacaré proveniente do manejo sustentável e fortalecer a cadeia produtiva regional. O secretário-adjunto da Semtel, Aleks Palitot, explicou que o reconhecimento busca associar o produto não apenas ao território, mas também à história das populações tradicionais e ao manejo sustentável. “A pessoa quer experimentar essa carne, mas também quer conhecer a história do lugar de onde ela vem, a vida das populações tradicionais, sua relação com a natureza e com a sustentabilidade. Isso cria identidade e valor para o produto”. Nos pavilhões, o público pode acompanhar exposições de peixes nativos amazônicos, demonstrações de tecnologias para piscicultura, atividades sobre café, mandioca, mel, agroindústria e agricultura familiar, além de comercialização e degustação de produtos.  A Agrotec 2026 segue até domingo (30), com a feira aberta diariamente das 14h às 21h. A entrada é gratuita e o evento reúne produtores, empreendedores, instituições e visitantes em uma programação voltada ao desenvolvimento do agronegócio e da produção rural de Rondônia. 

A CONTA NÃO FECHA: EMPREGO DESACELERA E METADE DOS EMPREGADOS QUEREM MUDAR DE TRABALHO   

Os números oficiais seguem apontando saldo positivo, mas o retrato do mercado de trabalho brasileiro revela uma contradição difícil de ignorar. De um lado, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou a abertura de apenas 58.568 postos formais em julho uma queda de 57,3% em relação a junho e o pior resultado para o mês desde 2020. No acumulado de janeiro a julho, são 972.203 vagas formais, 20,9% a menos que no mesmo período de 2025. Os dados confirmam o que muitos já temiam: o mercado de trabalho formal está perdendo fôlego. De outro lado, uma pesquisa da Robert Half revela que 47% dos trabalhadores brasileiros pretendem buscar um novo emprego nos próximos seis meses. O movimento, aliás, já começou: 16% dizem estar ativamente em busca de uma nova oportunidade e 31% planejam iniciar a procura até o fim de 2026. Aqui a conta não bate. Como explicar tanta gente disposta a trocar de trabalho em um cenário de desaceleração na criação de vagas? A resposta está nos próprios motivos apontados pelos profissionais: 43% buscam equilíbrio entre vida pessoal e carga de trabalho, 42% querem melhores benefícios, 33% sentem-se mal remunerados e 20% estão preocupados com a estabilidade do próprio emprego. Ou seja, não é otimismo com o mercado -é insatisfação com o emprego atual. O retrato é claro: os indicadores dizem que há menos portas se abrindo, enquanto uma parcela expressiva da força de trabalho procura saída insatisfeita. A frustração com as projeções e a possível perda de fôlego do mercado formal somam-se a um contingente de insatisfeitos que não encontram, na economia real, as oportunidades que desejam. Algo, de fato, não bate. 

RECEITA SINTONIA: A NOVA FORMA DE RELACIONAMENTO DO FISCO  

A conformidade tributária no Brasil deixou de ser apenas uma obrigação burocrática para se tornar um pilar da governança empresarial. O contador, antes focado no cumprimento de obrigações acessórias, agora assume papel estratégico na prevenção e correção de problemas fiscais. Esta mudança de lógica da administração tributária encontra sua expressão mais clara no programa Receita Sintonia. O Receita Sintonia classifica pessoas jurídicas ativas de acordo com o grau de conformidade tributária, adotando postura preventiva em vez de apenas reativa.  Em julho de 2026, a Receita Federal divulgou a classificação de 10.892.593 pessoas jurídicas ativas, com base no segundo trimestre. Do total, 1.673.480 empresas foram classificadas na categoria A+, com conformidade superior a 99,5%. São contribuintes que demonstram excelência no cumprimento de obrigações fiscais, com informações consistentes e regularidade plena.  Na outra ponta, 3.135.869 empresas ficaram na categoria D, com conformidade inferior a 70%. Mais de um quarto das pessoas jurídicas ativas no país apresenta grau preocupante de inconsistências ou pendências fiscais, o que pode trazer consequências como maior fiscalização, restrições a crédito e dificuldades operacionais. Esta diferença entre os extremos evidencia que ainda há longo caminho para a disseminação da cultura de conformidade no ambiente corporativo brasileiro. A mudança de lógica da administração tributária impõe novo protagonismo ao profissional contábil. Mais do que entregar declarações dentro do prazo, o contador atua como guardião da saúde fiscal da empresa, monitorando a classificação no Receita Sintonia e atuando preventivamente para corrigir inconsistências antes que se transformem em problemas maiores. Para saber em qual categoria a empresa está classificada, basta realizar consulta individual no Receita Sintonia, que também permite acessar detalhes da pontuação. O acesso pode ser feito pelo Portal do Programa Receita Sintonia, pelo Portal de Negócios da Redesim ou pelo Portal de Serviços da Receita Federal. A consulta permite visualizar informações sobre eventuais pendências relacionadas à regularidade cadastral, à entrega de declarações e escriturações, à consistência das informações prestadas e ao cumprimento das obrigações tributárias. O Receita Sintonia representa divisor de águas na forma como o Fisco se relaciona com as empresas. 

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