CULTURA – Você sabe o que é?

NAIR FERREIRA GURGEL DO AMARAL

Sabemos realmente o significado desse termo tão conhecido no mundo moderno e contemporâneo?
Será que o utilizamos da forma correta?
Essas questões introdutórias tem a finalidade de propiciar uma reflexão diante de fenômeno tão importante e, muitas vezes, equivocadamente, entendido como desenvolvimento econômico, grau de escolaridade, educação, bons costumes, etiqueta e comportamentos de elite.
Para evitar tal confusão, a ampliação do conceito de cultura encontrou no antropólogo britânico Edward Burnett Tylor: “cultura é todo o complexo de conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra habilidade ou tradição adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”.
Pronto. Agora não há como equivocar-se.
E ainda vieram os acréscimos de Clifford Geertz: “a cultura nunca é igual, é sempre uma recriação”; de Homi Bhabha: “Nenhuma cultura é jamais unitária em si mesma, nem simplesmente dualista na relação do Eu com o Outro”; de Néstor García Canclini: “As diferenças se transformaram em desigualdade”. De Zygmunt Bauman: “A liberdade consumidora que proporciona aos indivíduos líquidos o sonho de uma vida feliz que nunca chegará”.
O conceito de cultura relaciona-se com os seguintes pontos:
– a cultura determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações;
– o ser humano age de acordo com os seus padrões culturais;
– a cultura é um meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos;
– o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que de agir através de atitudes geneticamente determinadas;
– a cultura é um processo acumulativo.
O certo é que não existe nenhum ser humano que não esteja vinculado a uma cultura, que não tenha nascido dentro de um grupo social com seus valores, suas crenças, seus hábitos, seus preconceitos, seus costumes, sua arte, suas técnicas, sua língua.
As sociedades são híbridas e exigem um convívio com a heterogeneidade.
Se o Brasil é um exemplo de nação multicultural, o estado de Rondônia é um laboratório vivo para estudos sobre multiculturalismo.
Aqui, vemos e vivemos uma variedade de culturas, de origens, de linhagens.
Então… Por que o narcisismo, em suas mais diferentes nuances, ainda permanece vivo nas sociedades atuais?
Por que, por exemplo, temos dificuldades enormes para aceitar hábitos e costumes que nos são estranhos e, principalmente, por que a tendência é classificar o que é diferente daquilo que vivenciamos no nosso dia a dia como feio, esquisito, errado ou anormal?
Assumir a diversidade e, juntamente com ela, o multiculturalismo, requer entender que vivemos numa sociedade híbrida e que se tornam inadmissíveis oposições como popular versus culto, moderno versus tradicional, urbano versus rural canônico versus popular.
A hibridação precisa ser vista com um olhar transdisciplinar.
Dessa forma, espera-se mostrar que não existe mundo sem cultura nem falta de identidade. A relação entre os dois termos é distinta e, ao mesmo tempo, imprescindível: um não sobrevive sem o outro.
A Pluralidade Cultural torna-se, então, um desafio para a sociedade atual.
Respeitar as diferentes culturas vai além do simples ato de tolerância, antes disseminado nas escolas e espaços religiosos.
Também significa lutar por um mundo em que o respeito às diferenças seja a base de uma visão de mundo cada vez mais rica e transformadora.
Sabemos todos que a língua falada por uma pessoa é marca de sua identidade na relação com a comunidade em que vive.
Por isso, discriminar um modo de falar é a mesma coisa que não respeitar os valores de outras pessoas que não falam como nós.
Esse modo de pensar e agir sempre existiu. É a imposição do poder sobre as diferenças, é a origem do conceito de “erro de fala” e, consequentemente, a incorporação de preconceitos como: “inferior”, “feia”, “pobre”, dados aos modos diferentes de se expressar.
É por isso que eu sempre digo:
– Não há língua sem cultura, nem cultura ou língua sem sociedade.
Portanto, gravem bem:
– Não existe cultura (língua) certa ou errada, feia ou bonita, rica ou pobre.
Existe cultura, existe língua e linguagem.
E elas são variáveis, híbridas e mutantes.

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