Era maio de 1986. O Brasil estava vivendo um momento econômico cheio de esperança – o Plano Cruzado – um pacote de medidas econômicas que promoveu o congelamento de preços e salários e substituiu a moeda trocando o Cruzeiro para o Cruzado. No começo havia uma certa euforia. Eu tinha acabado de chegar à Porto Velho. E fui escalada pelo pelo Luiz Tourinho, um dos proprietários do Jornal Alto Madeira, para fazer a cobertura da viagem organizada pela Federação das Associações Comerciais e Industriais do Estado de Rondônia (Facer) à Costa Marques, entidade por ele presidida, onde então se realizaria o 2º Encontro de Dirigentes de Associações Comerciais e Industriais do Estado no Vale do Guaporé.

Na verdade, ainda estava no cueiro. Tinha colado grau no Rio de Janeiro três meses antes. Mas mesmo assim aceitei o desafio.
O dia da viagem foi festivo. Ônibus com faixas da Facer e todo mundo feliz. Alguns empresários aproveitaram para levar as esposas. O primeiro trecho da BR-364, em comparação às histórias que contavam de anos anteriores, era um verdadeiro tapete. Depois complicava um pouco.

Deixando a BR-364 para trás, o pequeno comboio, liderado por dois ônibus da Eucatur e seguido por alguns automóveis – nesse tempo, as caminhonetes ainda não eram tão presentes no meio rural. Só a partir de 1990 os modelos 4 x 4 começaram a ganhar força.
Entramos na BR- 429, ali na altura de Presidente Médici e até que íamos bem. Não se via fazendas ao longo da rodovia. A soja ainda não havia chegado. Impressionava a quantidade de abóboras maduras que se alastravam à margem da rodovia.
Até que começaram os desafios: As pontes eram de madeira, pelo menos a maioria e não suportavam carga muito pesada e em alguns casos, segundo os viajantes mais experientes, poderiam até desabar se houvesse um peso superior a capacidade que se imaginava para cada uma. Riscos à parte, melhor prevenir. A cada ponte tínhamos que deixar o ônibus e atravessá-la a pé. Chegar em Costa Marques foi um grande alívio.

A cidade era pequena e a presença da caravana da Facer fez uma grande diferença. Todas as autoridades foram mobilizadas. Lembro do prefeito Ruy Almeida, do juiz Roosevelt Queiroz. Enfim, foi uma movimentação e tanto. Não havia bandeiras políticas. Todos desejavam o desenvolvimento de Costa Marques e uma maior participação no orçamento estadual, além da sua inserção nas políticas públicas da União. Na comitiva que saiu de Porto Velho estavam lideranças como Euro Tourinho (pai e filho), o ex-governador do Território de Rondônia (1954 – 1955 e 1958 – 1961) Paulo Nunes Leal, Ildemar Coelho, Claúdio Feitosa,Ercy Resende, João Coelho, Raymundo Nonnato de Castro, Cida Souza, Luís Antônio de Araújo, Ruy Bacelar, que na ocasião representava a diretoria do Banco Central, entre outros.

Entre os assuntos da pauta do encontro estavam a posse dos dirigentes da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Costa Marques, a partir de então presidida por Helvécio Junqueira e a filiação da associação costa-marquense à Facer.
Uma visita ao Real Forte Príncipe da Beira não poderia faltar a e seguiu rumo ao Forte, cortando as águas do Rio Guaporé. Afinal, seria como ir a Paris e não conhecer a Torre Eiffel.
Construído ainda no século 18 em plena selva, o Forte Príncipe é considerado a maior fortificação militar portuguesa fora da Europa. É um marcador da soberania na Amazônia Ocidental e está instalado na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia. Percorrer as águas tranquilas e cristalinas do Rio Guaporé parecia mesmo um sonho.

